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AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Depois de meses protegido do inverno, abrigado numa casa de paciência e resignação, acreditei que já poderia sair e olhar o nascer do Sol despontar! Ledo engano! Ainda são três da madrugada e o gélido frio corta-me a carne gritando que ainda não é tempo de Sol! Percebi que não foi a grande estrela que se atrasou, eu que acordei cedo demais. Voltei resfriado e sem sono pra dentro de casa.
–Li no jornal que o Sol neste verão viria mais cedo. O sono que enganava a espera fugiu-me, o que vou fazer até seis da manhã?
–Muita coisa, respondeu meu velho companheiro, assim como o Sol cumpre suas obrigações (sem deixar de se divertir porque de fato é Sol!) distante quilômetros a Leste, cumpra o que lhe cabe como se não houvesse Sol a esperar. Assim de fato viverás a tua noite da forma como ela deve ser vivida e verás que na noite também há vida.
Ainda resfriado pela exposição desguarnecida , acendi a luz e retomei o que tinha deixado pendente na noite anterior. Com o Sol ou sem ele a vida continua. A boa noticia é que mais tempo, menos tempo ele chega.

As estrelas desenhavam seu rosto no céu e a noite dava o tom da sua tez. Nada mais podia ser feito, a não ser contemplá-la naquele gesto generoso da natureza. Eu partia para longe e para perto de mim, e o mundo insistia em mostrar a ausência que me invadia , percebi então que não havia nada que eu fosse definitivo; senti-me um encontro de ciências, uma praça de amores, um rua de desejos. Desconfortavelmente eu era convocado a entender isso naquele instante de despedida. Eu queria ficar, ela estava lá! Mas tinha que partir, outras coisas me esperavam.
As luzes dos postes ofuscavam o desenho no céu, são as luzes que iluminam a estrada que percorro. Essas coisas não se excluem se completam. O que me fazia pensar o contrário era um desejo perverso de céu, de pele, de vida! Esse desejo estranhamente me faz viver e sentir as luzes dos postes, sei que o céu está a me esperar claro e límpido quando eu passar por essas luzes pontuais. Por trás desta artificialidade ardem seus lábios, brilham seus olhos com as estrelas, como as estrelas. A minha estrada é iluminada! Paciência.



